luís capucho

No programa “A voz humana” da Rádio Batuta, a rádio de internet do Instituto Moreira Salles, num episódio veiculado em novembro de 2016 sob o título de “A voz dos marginais”, o poeta Eucanaã Ferraz, entre outros deslocados sociais da música -  Bingo Gazingo, Daniel Johnston, Jandek, Shooby Taylor, Åke Sandin e Bob Vido – diz de Luís Capucho:

 

“Prosseguimos com um brasileiro, o cantor, campositor e escritor luís capucho. Capucho estreiou como cantor em 1996, no CD coletivo “Ovo”, com a canção “O amor é sacanagem”. No mesmo ano entrou em coma, devido a uma neurotoxoplasmose, que deixaria sequelas com as quais Capucho teria que conviver. As limitações motoras e os problemas de voz decorrentes, acabaram por marcar uma mudança em sua carreira. Em primeiro lugar, tais problemas criaram uma magnífica densidade existencial.

Quanto à voz, é o próprio Capucho quem observa em um de seus livros, chamado “Mamãe me adora”:

 

“Minha voz é muito estranha, por causa da minha incoordenação motora. Tenho dificuldade para pronunciar os fonemas e a força que preciso fazer para dizê-los, incham-me as veias do pescoço. Também para que elas saiam é necessária muita concentração e, desse modo, as palavras ficam lentas, explicadas, com a pronúncia exagerada pelo esforço em dizê-las. E embora saiam explodidas, altas, roucas e arranhadas, são sempre minuciosas em sua pronúncia.”

 

“A voz de capucho casa-se exemplarmente com sua música, como se não houvesse sequer separação entre elas. Pode-se pensar em roucos, como Tom Waits ou Leonard Cohen. Penso em Nelson Cavaquinho, na sua aspereza pungente, que como em Capucho, faz inseparáveis canto, composição, instrumento, palavra e vida.”

O MENSAGEIRO DE ÍRIS – A EXPRESSÃO DE LUÍS CAPUCHO

REVISTA Z CULTURAL - Rafael Julião

fev/2019

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As Vizinhas de Trás / Cinema Iris - Tinta a óleo

Resumo: Luís Capucho é uma voz singular da literatura e da música brasileira das últimas décadas. Este artigo busca apresentar algumas questões centrais de suas canções e de seus livros, observando elementos temáticos, como o universo maldito e a representação dos cinemas pornográficos, da masculinidade, do homoerotismo e da figura materna, bem como os procedimentos formais de transfiguração do real realizados em sua obra. Assim, refletiremos sobre a relação entre o sagrado e o profano, e o arco luminoso que o artista constrói com suas palavras.

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LUÍS CAPUCHO